segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

...Arthur...

"Esta noite não dormi. Há muitas noites não consigo, de fato, dormir.
Antes eu só o via em sonhos, hoje eu o vejo, principalmente, quando estou acordada. O homem que outrora fora a minha única realidade, hoje é mais apenas um devaneio meu. O mais doce deles. Quando ele ainda se fazia presente em minha vida, não havia fantasmas, não havia monstros e eu temia que depois que ele partisse, todos os monstros voltassem a aparecer. Eu sabia que ele partiria. Os monstros não mais me atormentaram as noites, mas o rosto dele sim. Tê-lo na memória ainda me aterrorizava mais do que qualquer monstro foi capaz fazê-lo. Eu tinha medo de terminar meus dias tendo somente na memória aquele que nunca mais se lembrou de meu nome. Aquilo me consumia, mas não mais do que o sentimento por ele. Aquele maldito sentimento me tomou tudo. Nem minha alma me pertencia mais. Era tudo para ele, sobre ele, com ele. Era tudo dele. Não me sinto mal neste momento por não tê-lo mais, mas por ter me esquecido de que, para existir amor, eu deveria existir primeiro. Hoje não existe mais amor e não sei mais como fazer para existir. Esta noite, além de permanecer acordada, eu chorei. Chorei tanto que me faltaram lágrimas. Chorei um choro sentido, como o de criança, como um céu que chora quando o Sol se esconde. Chorei, como se aquela que quis ser e não sou consolasse esta que hoje sou e não quero ser, num abraço apertado, carregado de compaixão.
Cada dia de minha existência, desde que não o vejo mais, têm sido como um século de tormento. Já não tenho mais noção das horas. Não sei se ele partiu ontem, muito menos quantos séculos duraram esse ontem. Já não posso sequer desejar morrer em paz, já que não sei mais o que ela significa. Já que não posso mais morrer. Eu sabia da verdadeira condição dele. Ingenuamente acreditei que vampiros apenas sugavam-lhe o sangue, mas ele me sugou o sangue, a paz, a luz do dia, a vida e o direito de morrer."

Um comentário:

Lucas Doth. disse...

Olá, passando pelo seu blogger me deparei com o seu texto Arthur e posso lhe afirmar que gostei muito de como você escreve! pude ver o quanto de sentimento você deposita no seu texto e ele me tocou. Parabéns!