sexta-feira, 17 de julho de 2009

...Athanaton...

“Como é doce o gosto da juventude”, pensava ele, com aquela pele de ébano entre os caninos. Pele lisa, fina. Jovem.
Ele pensava, enquanto sugava daquela moça todo o elixir da vida, como fora fácil caçá-la. Ele não passava de um senhor de idade, de cabelos brancos e pele pálida pela falta de Sol, mas ainda assim com resquícios da juventude morena. Pode-se dizer que era até atraente pela idade que aparentava, mas qual vampiro não é? Ele parecia muito frágil, não fosse pelo olhar sábio e sedutor de quem tantos séculos viveu.
Aquele anúncio no jornal não atraiu tantas presas quanto ele imaginava. Talvez pela localização da casa. Era um casarão longe de tudo, entre árvores mortas e ruas estreitas. Mas fora melhor assim. Os poucos vizinhos poderiam desconfiar de seu verdadeiro interesse com as candidatas á cozinheira e, além do mais, o anúncio só atrairia senhoras de idade, com a mesma aparência milenar que ele. E ele queria vida, sangue fresco que há tanto não corria em suas veias imortais. “Mal sabem elas como é difícil um velho homem se alimentar hoje em dia”, pensava. Fazia questão de se alimentar apenas de sangue feminino. Dizia que tinha gosto semelhante ao do vinho e temperatura como a de uma manhã de Sol, aquele que lhe fazia tanta falta. Nunca convertera ninguém em vampiro. “Se já está difícil para este velho e experiente vampiro, o que seria de novatos?”
Ainda era início de noite quando a jovem moça batera á sua porta, em resposta ao anúncio do jornal. Não aparentava ter mais de 25 anos. Pele macia e quente. Sangue. Seu interesse na moça fora imediato, mas não pretendia sexo com ela. Por mais que a pele quente da moça lhe aguçasse os instintos sexuais, a fome era maior.
Assim que a moça sentou-se em seu sofá, que era tão antigo quanto ele e tão gasto quanto a decoração vitoriana de toda a casa, ele lhe ofereceu um café, alegando querer lhe falar mais sobre sua nova função, como sua empregada. Ela se apresentou como Miriam e disse ser um prazer trabalhar para aquele senhor tão aristocrático. Antes de qualquer outra palavra que pudesse ser dita, ele a atacou com dentes salientes e olhos avermelhados. Alimentou-se de gota por gota de seu sangue jovem. Ele também se sentia mais jovem a cada gota. Assim que terminou seu banquete das trevas, jogou o corpo de Miriam á lareira acesa dizendo “Muito prazer, Athanaton.”

Um comentário:

Adriano Siqueira disse...

muito boa a história. Será que teremos mais sobre este vampiro Athanaton? :-)

tenha uma adoravel noite mary

Adriano Siqueira